Rivalidade, fair play e falta de humanidade

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Muita gente acha que o mundo vem piorando, diferentemente, não penso da mesma forma. Entendo que o avanço das telecomunicações e o advento das mídias sociais é que explicitam mais as barbaridades. É verdade que muita gente perdeu a vergonha e “saiu do armário” com suas ideias quase(?!) nazistas, mas isso sempre existiu.

Há alguns dias muito se falou e discutiu sobre o fair play, por conta do gesto do atleta Rodrigo Caio, do São Paulo, que avisou ao juiz sobre seu erro na partida contra o Corinthians e assim evitou um cartão para seu adversário, Jô. Não dá pra saber como cada um agiria ali na hora, no calor da disputa, mas o papel da mídia esportiva e, seria de se esperar, dos jogadores da elite, certamente seria o de exaltar a atitude do defensor tricolor, quem sabe assim estimulando um círculo virtuoso e a repetição do gesto.

Quase na mesma semana vimos, entre os mesmos jogadores, agressões, simulações e tentativas de enganar o árbitro. Mais do que isso, vimos a falta de educação explicitada em toda sua plenitude, desembocando na falta de humanidade na partida Criciúma e Chapecoense. Em dado momento um grupo, pequeno, ressalte-se, de torcedores do Circiúma gritar “Ão âo âo, abastece o avião” para o time de Chapecó. De modo geral comento, mas não compartilho esse tipo de atitude, mas é tão inacreditável que merece ser visto e discutido em todas as mesas, escolas, clubes, igrejas…

Não foi a primeira e não será a última vez que esse tipo de coisa acontece. Acredito até que muitos dos que repetiram o “cântico”(?!) não fazem ideia do que suas palavras representam, o que não melhora em nada o olhar sobre o evento.

Há pouco mais de um mês um outro episódio também mostrou como a mídia está despreparada para exercer suas funções e parte da população para viver em comunidade, a contratação do goleiro Bruno, condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, pelo Boa Esporte. Ainda que não tenha nenhuma simpatia pelo atleta e com todas as falhas da justiça brasileira (lutemos para que melhore), se o jogador é considerado cidadão livre, pode e deve buscar um recomeço de vida, pessoal e profissional. Difícil é entender a atitude do clube do ponto de vista da comunicação, da mídia ao dar tanto destaque positivo ao Bruno e a todos que o trataram como um superastro. Mundo bizarro.

E ainda tem o técnico Antonio Carlos Zago, do Internacional, simulando ter sofrido uma agressão na partida contra o Caxias, o torcedor argentino arremessado da arquibancada, a discussão sobre torcida única em clássicos…
FutebolEtica
Levem o futebol aos cursos de Filosofia e às discussões sobre ética. Precisamos melhorar!

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