Archive for the ‘OPINIÃO’ Category

O ‘caso’ Jô, o preço da coerência e os linchamentos

Posted by Ricardo Roca On setembro - 19 - 2017ADD COMMENTS

Ao longo da vida, todo mundo, alguma vez, já passou em farol vermelho , preferiu pagar sem nota pra ter desconto, inventou desculpa pro chefe ou pro professor para justificar o atraso em alguma atividade, mentiu pro marido ou esposa… A questão aqui passa longe do moralismo, todos somos ‘pecadores’.

O ‘caso’ Jô, dada a repercussão que o lance de seu gol contra o Vasco gerou, é uma ótima oportunidade para refletirmos sobre ética, honestidade, e até mesmo alguma coisa sobre futebol.

Começando pelo último ponto, algumas observações futebolísticas óbvias:

– o Corinthians provavelmente será campeão brasileiro de 2017 de qualquer forma e não vai ser por conta desse lance;

– aconteceram inúmeros gols irregulares ao longo do campeonato (desse e de qualquer outro), assim como marcações equivocadas de faltas e pênaltis, cartões amarelos, expulsões e não expulsões, escanteios e laterais etc. etc. etc.;

– o ‘árbitro assistente’, que fica na linha de fundo e estava MUITO próximo do lance precisa de oftalmo urgente;

– passou da hora da CBF estabelecer regras e implementar a ajuda eletrônica para casos como esse;

Nada disso impede dizer, no entanto, que o gol foi escandalosamente irregular. Qualquer análise que diga o contrário está sendo feita por apaixonados corintianos. Ainda que alguns sejam jornalistas, apaixonados corintianos. Justificativas, considerações, observações, tentativas de fazer contas de compensação pra lá ou pra cá… assusta o malabarismo mental e retórico que muitos tentam fazer.

O que ‘pegou’ foi que o envolvido, Jô, participou recentemente de um outro episódio, com sinal trocado. Em partida contra o São Paulo, em disputa de bola com Rodrigo Caio, o árbitro de então deu cartão amarelo para o atacante do timão por supostamente ter cometido falta no goleiro Renan Ribeiro. Na mesma hora o zagueiro tricolor avisou ao juiz que tinha sido ele, Rodrigo Caio, e não o atacante corintiano, o responsável por ‘trombar’ com o goleiro, seu colega de time. O juiz revogou sua marcação e retirou o cartão e o caso de ‘fair play‘ (incrivelmente) gerou polêmica. Na ocasião, o atleta corintiano agradeceu, elogiou o rival e disse que Rodrigo Caio deu uma lição: ‘Eu me policio agora para ser o mais sincero’.

No último domingo, Jô esticou o braço, empurrou a bola, fez o gol e… nada de ‘fair play‘, comemorou e deu entrevista desconversando. A partir daí torcedores e imprensa esportiva não pararam mais de falar disso, muitas vezes extrapolando as coisas e partindo para o linchamento, conduta que não leva a nada em lugar nenhum. Ele foi incoerente, como todos nós somos em algum momento da vida; não significa que seja um mau caráter.

Piadas no meio futebolístico (no Brasil atual, sobre qualquer assunto) são a coisa mais comum do mundo, mas colocar em discussão o homem por conta disso é de uma tolice sem tamanho.
ManoJo
Muita gente chegou a tentar comparar o caso com supostos pênaltis que teriam ocorrido na mesma partida, tentando justificar o injustificável perguntando se os atletas que fizeram a falta deveriam ter se acusado também.

É tão descabida a comparação que envergonha um pouco ter que escrever a respeito, mas… (quis ter blog, agora tenho que falar sobre o óbvio). Em cobranças de falta ou escanteio, por exemplo, nas grandes áreas acontece o que chamamos de agarra-agarra, com um puxando o outro enquanto o outro puxa o um. Por vezes, na movimentação da jogada os atletas trombam entre si, até mesmo com colegas de time; por vezes, não dá pra saber quem começou a puxar e empurrar primeiro, é o que se chama ‘jogo de contato’.

Outra coisa, absurdamente OUTRA COISA, são os lances mencionados, do Rodrigo Caio lá atrás e do Jô esse domingo. Para acrescentar outro exemplo, o episódio da partida entre Palmeiras x Corinthians, em que o árbitro se engana e dá cartão amarelo para o volante Gabriel, do alvinegro, quando a falta havia sido feita por outro atleta do Corinthians. Alguns jogadores do Palmeiras que viram o lance poderiam, ouso dizer que deveriam, ter avisado o juiz de seu equívoco.

Somos todos falíveis e erramos, por isso precisamos de leis e regras, que também falham e mudam ao longo do tempo. O calor do jogo e a pressão podem servir de atenuantes, ajudar a compreender o motivo da ação, jamais para anular o erro. No lucro, pode até servir para refletirmos a respeito das coisas do mundo.

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Rivalidade, fair play e falta de humanidade

Posted by Ricardo Roca On abril - 25 - 2017ADD COMMENTS

Muita gente acha que o mundo vem piorando, diferentemente, não penso da mesma forma. Entendo que o avanço das telecomunicações e o advento das mídias sociais é que explicitam mais as barbaridades. É verdade que muita gente perdeu a vergonha e “saiu do armário” com suas ideias quase(?!) nazistas, mas isso sempre existiu.

Há alguns dias muito se falou e discutiu sobre o fair play, por conta do gesto do atleta Rodrigo Caio, do São Paulo, que avisou ao juiz sobre seu erro na partida contra o Corinthians e assim evitou um cartão para seu adversário, Jô. Não dá pra saber como cada um agiria ali na hora, no calor da disputa, mas o papel da mídia esportiva e, seria de se esperar, dos jogadores da elite, certamente seria o de exaltar a atitude do defensor tricolor, quem sabe assim estimulando um círculo virtuoso e a repetição do gesto.

Quase na mesma semana vimos, entre os mesmos jogadores, agressões, simulações e tentativas de enganar o árbitro. Mais do que isso, vimos a falta de educação explicitada em toda sua plenitude, desembocando na falta de humanidade na partida Criciúma e Chapecoense. Em dado momento um grupo, pequeno, ressalte-se, de torcedores do Circiúma gritar “Ão âo âo, abastece o avião” para o time de Chapecó. De modo geral comento, mas não compartilho esse tipo de atitude, mas é tão inacreditável que merece ser visto e discutido em todas as mesas, escolas, clubes, igrejas…

Não foi a primeira e não será a última vez que esse tipo de coisa acontece. Acredito até que muitos dos que repetiram o “cântico”(?!) não fazem ideia do que suas palavras representam, o que não melhora em nada o olhar sobre o evento.

Há pouco mais de um mês um outro episódio também mostrou como a mídia está despreparada para exercer suas funções e parte da população para viver em comunidade, a contratação do goleiro Bruno, condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, pelo Boa Esporte. Ainda que não tenha nenhuma simpatia pelo atleta e com todas as falhas da justiça brasileira (lutemos para que melhore), se o jogador é considerado cidadão livre, pode e deve buscar um recomeço de vida, pessoal e profissional. Difícil é entender a atitude do clube do ponto de vista da comunicação, da mídia ao dar tanto destaque positivo ao Bruno e a todos que o trataram como um superastro. Mundo bizarro.

E ainda tem o técnico Antonio Carlos Zago, do Internacional, simulando ter sofrido uma agressão na partida contra o Caxias, o torcedor argentino arremessado da arquibancada, a discussão sobre torcida única em clássicos…
FutebolEtica
Levem o futebol aos cursos de Filosofia e às discussões sobre ética. Precisamos melhorar!

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O jogo não valia muita coisa, nessa enfadonha fase inicial do Paulistinha, mas era um Corinthians x Palmeiras. Tanto que começou tenso, como se fosse decisivo ou no clima de Libertadores, o que seria um excelente teste para o time verde. Por isso era mais disputado do que bem jogado e de bom mesmo no primeiro tempo, dois ou três lances de perigo.

Se o jogo já não era um primor, o apitador conseguiu complicar mais as coisas e expulsou equivocadamente o volante Gabriel, do Corinthians, ex-Palmeiras, por uma falta em lance do qual ele nem participou. Tá certo que o jogador, pilhado acima da conta, talvez por enfrentar seu ex-clube pela primeira vez, já merecia ter sido expulso em lance anterior, mas dois erros não fazem um acerto e o árbitro “estragou o clássico”, na maioria das opiniões alviverdes e, principalmente, alvinegras.
Expulsao
Para o segundo tempo, com um jogador a mais e um elenco mais farto, o favoritismo do Palmeiras aumentava. Pouco a pouco o time foi se impondo, aumentando a posse de bola, chegando com perigo algumas vezes, mas… sem inspiração e contundência.

Até que num desses lances que só o futebol proporciona, Guerra, o craque da última disputa Sul-Americana cometeu uma falha grosseira e Jô, em seu primeiro toque na bola, fez o único gol do jogo. Corinthians 1 x 0 Palmeiras.

O time alvinegro se superava, e seus jogadores lutavam bravamente, enquanto o alviverde mostrava que ainda não sabe jogar esse tipo de partida, similar ao que vai enfrentar no torneio mais importante do ano, a Libertadores. Eduardo Baptista faz bons trabalhos, mostra dedicação e talento, mas ainda peca mais que o esperado e preocupa a torcida do Palmeiras. No outro parque, Fábio Carille ganha fôlego e o time do Corinthians ganha tempo e motivação para a temporada.

A tecnologia continua fazendo falta às arbitragens, mas no caso de hoje, o juiz até foi avisado sobre seu equívoco, mas sua postura arrogante o impediu de voltar atrás e corrigir o erro.

Nota triste para a cotovelada que o bom e costumeiramente não violento defensor Vitor Hugo aplicou em Pablo.

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ATLETIBA Histórico, o clássico que não houve

Posted by Ricardo Roca On fevereiro - 20 - 2017ADD COMMENTS

Atlético-PR e Coritiba fizeram história neste domingo ao se recusarem a jogar pelo Campeonato Paranaense 2017. Os times já estavam em campo, aquecimento feito, hino nacional executado e… nada de jogo. Os clubes não aceitaram a proposta de R$ 1 milhão da Rede Globo e anunciaram a transmissão em seus respectivos canais no Youtube.

Ainda que a Lei 9.615/98 (Lei Pelé), em seu artigo nº 42, determine com clareza que os clubes são detentores dos direitos de negociação quanto a transmissão das imagens das partidas, a Federação Paranaense de Futebol, absurda e arbitrariamente, não permitiu que a partida tivesse início por conta da questão. Questão de subserviência à plimplim.

Que o exemplo floresça e contagie outros times e dirigentes pelo Brasil.
AtletibaHistorico
Ilustração de Vini Oliveira – O Canto das Torcidas

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Depender da opinião da FIFA?

Posted by Ricardo Roca On janeiro - 30 - 2017ADD COMMENTS

Triste daquele que depende da chancela de entidades como a FIFA ou a CBF pra reconhecer legitimidades…
IndependeFIFA
#mundialdeclubes

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